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Curva de gomos 90 graus: fórmula, gomo cheio, meio gomo e tabela de ordenadas

Atualizado em 15 de Setembro de 2026

A curva de gomos, ou cotovelo de gomos, é o jeito de mudar a direção de um tubo de chapa sem curva forjada: segmentos de virola cortados em ângulo e soldados, aproximando o raio com trechos retos. A de 90 graus é a mais comum da oficina, e é também a que mais gera retrabalho, porque cada gomo tem uma senoide de altura diferente e o erro só aparece na montagem.

Este guia dá a fórmula, um exemplo resolvido com o cálculo do Planichapa, a tabela de ordenadas para riscar e a resposta à dúvida mais comum: quantos gomos são a curva de 3 gomos e 2 meios gomos.

As medidas e o que elas querem dizer

D é o diâmetro externo do tubo, e a espessura da chapa, R o raio da curva medido no EIXO do tubo (não no dorso nem na garganta), e o número de gomos. O cálculo divide o tubo em dv geratrizes, 16 no exemplo; mais geratrizes dão uma senoide mais fiel.

No exemplo deste guia: D = 800 mm, chapa de 10 mm, R = 1200 mm e 3 gomos. O raio no eixo tem de ser maior que metade do diâmetro, senão os gomos se cruzam na garganta; na prática se usa R entre 1 e 1,5 vezes o diâmetro.

Gomo cheio, meio gomo e o que contar

Uma curva de gomos tem dois tipos de peça: os dois gomos das pontas, cortados numa ponta só (meios gomos), e os gomos intermediários, cortados nas duas pontas (gomos cheios). O gomo cheio é exatamente dois meios gomos emendados pelo lado reto: por isso a chapa dele tem o dobro da altura.

No Planichapa, o número de gomos é o número de segmentos ANGULARES: cada um gira 90°/gomos. Com 3 gomos saem 2 meios gomos e 2 gomos cheios; com 4, 2 meios e 3 cheios. A curva clássica de oficina de 3 gomos e 2 meios gomos é, portanto, gomos = 4 aqui, com cada segmento girando 22,5°.

Gomos informadosMeios gomosGomos cheiosGiro por segmentoMeia esquadria β
22145°22,5°
32230°15°
4 (3 cheios e 2 meios)2322,5°11,25°
52418°
62515°7,5°

A fórmula da curva de gomos

Raio da linha média e comprimento da chapa
r = (D − e) / 2 ; L = π × (D − e) No exemplo: r = 395 mm e L = 2481,9 mm. Cada gomo é uma virola, e a chapa dela se desenvolve na linha neutra, como toda virola.
Meia esquadria
β = 90° / (2 × gomos) = 45° / gomos Com 3 gomos, β = 15°. É o ângulo do corte de cada meio gomo em relação ao esquadro; o gomo cheio tem esse corte nas duas pontas.
Altura do corte em cada geratriz
y(φ) = (R + r × cos φ) × tg β φ é o ângulo em torno do tubo, com φ = 0 no dorso (lado de fora da curva) e φ = 180° na garganta. A altura é máxima no dorso e mínima na garganta.
Dorso e garganta
y_dorso = (R + r) × tg β ; y_garganta = (R − r) × tg β No exemplo: 1595 × 0,2679 = 427,4 mm e 805 × 0,2679 = 215,7 mm. A senoide oscila entre esses dois valores.
Gomo cheio
altura = 2 × y(φ) 854,8 mm no dorso e 431,4 mm na garganta, no exemplo.

Exemplo resolvido: tabela de ordenadas

Com D = 800, chapa 10, R = 1200 e 3 gomos (β = 15°, tg β = 0,2679), a altura do meio gomo em cada geratriz, a cada 22,5° em torno do tubo:

φ (a partir do dorso)R + r × cos φAltura do meio gomo y(φ)Altura do gomo cheio
0° (dorso)1595,0427,4 mm854,8 mm
45°1479,3396,4 mm792,8 mm
90°1200,0321,5 mm643,1 mm
135°920,7246,7 mm493,4 mm
180° (garganta)805,0215,7 mm431,4 mm

A chapa do meio gomo mede 2482 × 427 mm e é cortada 2 vezes; a do gomo cheio mede 2482 × 855 mm e é cortada 2 vezes (gomos − 1). São quatro chapas e uma curva.

Planificação de Curva de Gomos em 90°: desenho do gabarito plano com as medidas do exemplo
As duas chapas do exemplo, desenhadas pelo cálculo: o meio gomo, com uma borda em senoide, e o gomo cheio, com as duas. As linhas laranja são as geratrizes de marcação.

Como riscar na chapa

  1. Calcule β e as alturas y(φ) para as dv geratrizes, ou copie a tabela da calculadora. Para a curva de 3 gomos e 2 meios gomos, informe gomos = 4.
  2. Risque o retângulo do meio gomo: L = π × (D − e) de comprimento por y_dorso de altura. Divida o comprimento em dv partes iguais (16 no exemplo, uma a cada 155,1 mm): cada divisão é uma geratriz.
  3. Marque em cada geratriz a altura y(φ), a partir da base. O dorso fica numa das bordas da chapa e a garganta no meio: a costura longitudinal vai ficar no dorso, onde a solda é mais comprida mas fica fora da garganta.
  4. Ligue os pontos com régua flexível. A borda é uma senoide de amplitude 2 × r × tg β, 211,6 mm no exemplo.
  5. Para o gomo cheio, risque o retângulo com o dobro da altura e espelhe a mesma senoide nas duas bordas.
  6. Corte 2 meios gomos e (gomos − 1) gomos cheios. Calandre cada um como virola, pré-curvando as pontas.
  7. Monte girando cada gomo meia volta em relação ao vizinho, para as costuras longitudinais ficarem a 180° umas das outras, e ponteie antes de soldar as circunferenciais. Confira o ângulo com esquadro nas duas bocas.

Erros que deixam a curva torta

  • Contar os meios gomos como gomos. A curva de 3 gomos e 2 meios gomos tem quatro segmentos de 22,5°; informar 3 dá segmentos de 30° e uma curva mais grosseira, com o dorso 110 mm mais alto por chapa.
  • Medir o raio na garganta ou no dorso. R é o raio no EIXO. O dorso fica em R + D/2 e a garganta em R − D/2: informar o raio de garganta como R dá uma curva 400 mm mais fechada no exemplo.
  • Costuras alinhadas. Com as costuras longitudinais todas do mesmo lado a curva monta torta e a solda longitudinal cruza a circunferencial; girar cada gomo meia volta resolve.
  • Usar π × D no comprimento. É o erro da virola: π × e a mais em cada gomo, 31,4 mm no exemplo em chapa 10, e todas as circunferenciais sobrepõem.
  • Poucas geratrizes. Com 8 divisões a senoide vira facetas e a boca não assenta na do gomo vizinho. Dezesseis é o mínimo confortável em 800 mm; 32 em diâmetros grandes.
  • Raio menor que meio diâmetro. Os gomos se cruzam na garganta e a peça não existe; o cálculo recusa.

Outras curvas

A mesma fórmula serve para qualquer ângulo: na curva de gomos livre você informa o ângulo, e na de 180 graus ele fica travado no retorno completo, com β = 90°/gomos. O cotovelo é o caso de gomos = 1: dois meios gomos cortados a 45°, sem gomo cheio. Para duto retangular existe a curva de duto retangular, e para duto oval a curva de gomos oval.

Perguntas frequentes

Como calcular a curva de gomo de 90 graus?
Divida 90° pelo número de gomos para achar o giro de cada segmento; a meia esquadria é a metade disso, β = 45°/gomos. A altura do corte em cada geratriz é (R + r × cos φ) × tg β, com R o raio no eixo e r = (D − e)/2. O comprimento da chapa é π × (D − e).
Quantos gomos tem uma curva de 90 graus?
Depende do acabamento: 3 gomos e 2 meios gomos (quatro segmentos de 22,5°) é o traçado clássico para duto; 5 a 6 segmentos para tubulação de processo. Quanto mais gomos, mais suave a curva e menor a perda de carga, mas mais cortes e mais solda.
Qual a diferença entre gomo cheio e meio gomo?
O meio gomo é a ponta da curva, cortado em ângulo numa ponta só; o gomo cheio é intermediário, cortado nas duas pontas, e tem o dobro da altura do meio gomo. Toda curva tem 2 meios gomos e (segmentos − 1) gomos cheios.
Onde fica a costura longitudinal do gomo?
No dorso ou na garganta, alternando: cada gomo é girado meia volta em relação ao vizinho para as costuras não ficarem alinhadas. Alinhadas, a solda longitudinal cruza a circunferencial.
A curva de gomos serve para pressão?
A geometria é a mesma, mas a curva de gomos soldada é uma peça de duto e de tubulação de baixa pressão. Para vaso e tubulação de pressão a norma manda curva forjada ou limita o ângulo por gomo; a planificação não muda, o que muda é a norma.