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Redução excêntrica e concêntrica: qual usar e como cada uma se planifica

Atualizado em 15 de Setembro de 2026

Toda redução liga duas bocas redondas de diâmetros diferentes. Na concêntrica as duas ficam no mesmo eixo; na excêntrica uma boca é deslocada até as duas ficarem tangentes de um lado, e esse lado sai a prumo. A primeira é um cone reto e abre em setor de compasso; a segunda é um cone oblíquo e só abre por triangulação. Este guia diz quando usar cada uma e como o traçado muda.

Quando usar a concêntrica e quando usar a excêntrica

A concêntrica é a redução padrão: funil, tremonha, transição de chaminé, redução de tubulação vertical. A excêntrica existe por uma razão de montagem: com um lado a prumo, a tubulação horizontal continua apoiada na mesma linha de fundo (ou de topo) depois de mudar de bitola. Em linha de sucção de bomba, a excêntrica com o lado reto para cima evita bolsa de ar; em linha apoiada em berço, com o lado reto para baixo mantém o apoio.

Em tremonha e silo a excêntrica aparece quando a saída precisa ficar encostada numa parede ou numa viga: a boca de baixo se desloca até o lado ficar vertical, e a descarga sai onde a estrutura permite.

O que muda no traçado

O cone concêntrico é um cone circular reto: as geratrizes convergem para um vértice, e a chapa abre em setor de coroa circular, riscado com compasso de vara a partir de um centro. Dois raios e um ângulo resolvem tudo.

No cone oblíquo e no cone fora de centro as geratrizes não convergem para um ponto útil, e o único traçado exato é por triangulação: divide-se cada boca em estações, liga-se cada estação de baixo às duas vizinhas de cima, calcula-se o comprimento verdadeiro de cada geratriz e reconstroem-se os triângulos na chapa com compasso. A chapa fica assimétrica: comprida no lado deitado, curta no lado a prumo.

Deslocamento da excêntrica
v = (D2 − D1) / 2 É o deslocamento entre os eixos que deixa um lado vertical. Com v = 0 a peça é a concêntrica; com v entre 0 e (D2 − D1)/2 é uma redução deslocada; acima disso a boca menor sai da projeção da maior, o excêntrico externo.
Comprimento verdadeiro de uma geratriz
ℓ = √( h² + Δx² + Δy² ) Δx e Δy são as distâncias em planta entre a estação de baixo e a de cima, e h a altura. É Pitágoras em três dimensões, uma vez por geratriz.

Uma peça que resolve as duas

O cone fora de centro recebe o deslocamento como medida: zero dá a concêntrica, (D2 − D1)/2 dá a excêntrica clássica com o lado a prumo, e qualquer valor entre os dois dá a redução deslocada que uma tubulação torta às vezes pede. É a mesma página para as três, e o cálculo escolhe sozinho entre o setor e a triangulação.

Planificação de Cone Fora de Centro: desenho do gabarito plano com as medidas do exemplo
A planificação do cone fora de centro do exemplo (800/1200/800, deslocamento 100), por triangulação: as geratrizes em laranja são as linhas de construção.

Erros comuns

  • Traçar a excêntrica com setor de compasso. Só o cone reto abre em setor; a excêntrica traçada assim fecha com a boca torta e a costura não casa.
  • Informar o deslocamento errado. A excêntrica de um lado a prumo tem v = (D2 − D1)/2 exatamente; mais do que isso a peça vira excêntrico externo, menos do que isso não fica a prumo.
  • Poucas divisões. A triangulação aproxima a curva por cordas; 16 divisões é o mínimo em bocas de 800 mm, e o cálculo entra pelo comprimento do arco para a boca não sair curta.
  • Esquecer a espessura. As duas bocas descontam a espessura na linha média, como no cone concêntrico; a chapa que não desconta sobra π × e na costura.
  • Calandrar a excêntrica numa passada. Ela não é superfície de revolução: conforma-se em setores, contra gabarito, e é por isso que o gabarito tem de estar certo antes de cortar.

Perguntas frequentes

Qual a diferença entre redução concêntrica e excêntrica?
Na concêntrica as duas bocas estão no mesmo eixo e a peça é um cone reto. Na excêntrica uma boca é deslocada de (D2 − D1)/2, as duas ficam tangentes de um lado e esse lado sai a prumo. A concêntrica abre em setor de compasso; a excêntrica só por triangulação.
Quando se usa redução excêntrica?
Quando a tubulação precisa manter a linha de fundo ou de topo ao mudar de bitola: sucção de bomba com o lado reto para cima, linha apoiada com o lado reto para baixo, tremonha com a saída encostada numa parede.
Como planificar uma redução excêntrica?
Por triangulação: divida as duas bocas em estações, calcule o comprimento verdadeiro de cada geratriz com √(h² + Δx² + Δy²) e reconstrua os triângulos na chapa. O cone fora de centro do Planichapa faz isso com o deslocamento que você informa.
Dá para fazer uma redução excêntrica com o cone oblíquo?
Dá: o cone oblíquo é o cone fora de centro com o deslocamento travado em (D2 − D1)/2, o valor que deixa uma geratriz vertical. As duas páginas dão a mesma chapa nesse caso.